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Midia

O Mal que existe dentro e fora de nós

Vivemos em uma sociedade que valoriza o espetáculo

artigo publicado em 22/4/2008 no Jornal A TRIBUNA (Santos)


Observando o triste caso da menina Isabella e o forte impacto que tem causado no grande público, vejo que:
  • a mídia tem explorado ao máximo esse tema;
  • nas ruas, o comentário é geral;
  • nos consultórios de psicoterapia, é o tema das sessões;
  • nas escolas, tem sido colocado como tema de discussão entre alunos e professores;

e fico pensando que, embora a notícia seja tão cruel e violenta , e nos cause grande sofrimento enquanto cidadãos, pais, educadores e irmãos; o que mais pode estar havendo para que haja tamanha mobilização entre as pessoas?


A influência da Persona e da Sombra, arquétipos advindos da Psicologia Analítica de
Carl Gustav Jung, pode nos trazer um entendimento maior a essa trágica situação.
Estes arquétipos estão presentes nos indivíduos de uma forma individual e coletiva,
e interferem tanto na vida pessoal, quanto na pública.


A persona é a máscara que utilizamos perante a sociedade e nela estão contidos os papéis aceitos socialmente, enquanto que na sombra, de uma forma inconsciente,
estão alojados ( também) nossos instintos mais primitivos, nossos medos e nossos desejos inconfessos. O que se espera, é que um indivíduo mais atento ao seu mundo interno, tenha conhecimento desses aspectos em sua vida, e saiba lidar com eles da melhor forma, procurando mantê-los em equilíbrio.


Numa sociedade em que o marketing sabe manejar os desejos da maioria, e na qual há
um interesse muito grande no consumo de tudo, sejam objetos ou pessoas que acabam se tornando seres descartáveis em nossas vidas, o vício acaba se tornando inerente ao ser humano, como se fosse algo natural. As pessoas acabam se tornando meros robôs manipulados pela sociedade capitalista que estimula cada vez mais o consumo, levando
o indivíduo a ilusão da posse do poder. E é assim que compramos pacotes na TV para espionarmos a vida dos que lá estão expostos. Há vícios para todos os gostos.


No entanto, vivemos em uma sociedade que valoriza o espetáculo, geralmente efêmero
e superficial, uma sociedade que dá grande importância ao ter exterior, em detrimento
do ser interior; uma sociedade que está identificada com a persona, onde não se
valoriza o essencial e sim, o descartável.


Como conseqüência, observa-se uma angústia crescente nas pessoas, gerando, na
maior parte das vezes, desejos de negação da sombra, que geralmente é projetada
no outro, ou seja, os aspectos sombrios que não são aceitos em nós mesmos, são colocados no outro, privado ou público, individual ou coletivo e rechaçados veementemente.


Com isso, o indivíduo deixa de olhar a si mesmo, tão ocupado que está em olhar o
sombrio em seu próximo.

No caso em questão, ficamos tão perplexos que, ao nomearmos um bode expiatório, deixamos de ouvir nosso próprio chamado evolutivo que busca a integração harmoniosa de toda a humanidade. Acredito que o momento exige uma tomada de atitude: a reflexão que leva ao auto conhecimento ( inclusive dos nossos aspectos sombrios) e a busca de um sentido e de um significado para a vida, como antídoto para tão terrível situação.


Devemos cuidar dos nossos pensamentos e das emoções que interferem em nossas experiências diárias. O chamado é para a integração e para a transformação. Um
indivíduo consciente de suas limitações, de suas dificuldades e do seu caminho de evolução poderá se transformar em uma célula reformadora e revolucionária para um mundo melhor.


Vivemos em uma sociedade onde a dificuldade de sobrevivência brutaliza e estressa as pessoas, e o que mais se encontra são seres humanos assustados, temerosos do futuro, vivendo no seu dia a dia, as mais diversas formas de pesadelos.


Esse terrível acontecimento que acompanhamos pela mídia, é um sintoma coletivo, reflexo da somatória de todos os sintomas individuais.

É importante ressaltar que uma mudança externa e a perspectiva de um mundo melhor,
só poderão acontecer se houver uma mudança interna, em cada indivíduo, pois a
bondade ou a maldade de cada um, implicam na maldade e na bondade de toda a humanidade.


Portanto, cabe a cada um de nós, a responsabilidade de crescimento e de evolução, possibilitando desta forma, o crescimento e a evolução de toda a humanidade. A busca de um sentido e de um significado em nossas vidas, nos remete a um cuidado e a uma atenção ao nosso mundo interno, tão negligenciado pela nossa sociedade moderna.

Através da meditação, da oração e da contemplação, podemos dar início a essa jornada tão assustadora, mas também tão grandiosa, espetacular e fascinante.


Sendo psicóloga, acredito na psicoterapia como um recurso extremamente enriquecedor para quem pretende o auto conhecimento; é um trabalho que envolve a compreensão das angústias, dos medos e do sofrimento do indivíduo , levando-o a descobrir a melhor forma de lidar com o próprio mundo interno e tudo que o rodeia.


M. Tereza Giordan Góes


 
   


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