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Tristeza não tem fim

Livro de psicólogos sugere que depressão pode induzir à reflexão e ao crescimento

SOLIMAR GARCIA - Agência Estado
  Estima-se em dois milhões o número de novos casos de depressão a cada ano no mundo. A causa exata da doença ainda é desconhecida. Porém, de acordo com especialistas, a explicação mais provável é o desequilíbrio bioquímico dos neurônios responsáveis pelo controle do humor. A depressão pode vitimar pessoas de qualquer faixa etária, mas sabe-se que incidência entre mulheres é bem maior do que entre os homens - três mulheres para cada homem. Uma das piores estatísticas é que entre 10% e 15% dos pacientes tentam o suicídio.

Apesar de números pouco animadores, para os psicólogos Fabiano Murgia e Maria Tereza Giordan Góes é possível vislumbrar novas perspectivas e fazer mudanças importantes e essenciais na vida, mesmo diante de um quadro depressivo. É o que eles ensinam no livro Salve A Depressão! (Edicta/Soleto). “Da mesma forma que a febre tem a função de sinalizar que algo não vai bem em nosso organismo, a depressão funciona como um alerta a respeito de como está nossa alma, nosso ‘ser’. Se analisada a fundo, teremos a chance de resgatar o nosso caminho de descoberta e evolução”, explica Maria Tereza, psicóloga, pós-graduada em Psicossomática, Psicologia Junguiana e especialista em Psicomotricidade, com mais de 15 anos de experiência no atendimento a adultos
e crianças.


Sombras da alma

O psicólogo suíço Carl Jung abordou o tema e defendeu com veemência a necessidade de se explorar as tristezas ou o lado escuro da alma. Ele dizia que é preciso trazer à consciência as partes sombrias da psique. E admitia que esse procedimento não é fácil, e que, portanto, a maioria das pessoas tende a deixá-los de lado, dando as costas às potencialidades de aprendizado e expansão dessas fases da vida.
Para os autores, a depressão é resultado da influência da sociedade ocidental de consumo. “Nossa forma de viver ‘matou’ Deus e nos ensina a negar o espírito, a fugir da dor e a seguir apenas em busca da ‘felicidade’ com atitudes externas e descartáveis excessivamente valorizadas, sendo a cura de qualquer doença apenas a suspensão dos sintomas e o alívio da dor”.

A cultura ocidental quer respostas rápidas para todos os problemas e evita utilizar as emoções negativas típicas desses momentos para crescer interiormente. Segundo a filosofia budista, as pessoas vivem um sentimento de insatisfação e de sofrimento, de
que algo está errado, e isso surge por falta de sintonia com a natureza humana, segundo o mestre tibetano Chögyam Trungpa. “Apenas no Ocidente essa insatisfação é tida como algo errado com a pessoa”, explica em artigo publicado nos anos 70 e que o tornou famoso pela nova abordagem.


No livro Salve a Depressão!, os autores traçam um panorama que ajuda a dar pistas para identificar o problema. “Os principais sintomas devem ser observados unidos e de forma prolongada, por mais de duas semanas”, ensinam. Os mais comuns ou perceptíveis são a alteração de peso, mudança de apetite, insônia ou sonolência, agitação, cansaço
e sensação de mal-estar. “Quando observados esses sintomas, o paciente deve passar por uma triagem com psiquiatra e o tratamento deve ser feito com psicoterapia e outras condutas que possam aliviar o estresse”, afirmam.


Entre as práticas que podem contribuir com a melhora do quadro geral eles indicam o uso da meditação, o encontro de uma crença espiritual, cuidados com a alimentação, técnicas de respiração e o desenvolvimento de atividades físicas.

Na visão da Psicossomática, parte da Psicologia que estuda o adoecer do corpo a partir de influências da mente e vice-versa, todos os sintomas de doenças seriam emocionais e trazem um simbolismo que precisa ser decodificado. “A partir da depressão, a pessoa deveria se voltar mais para suas questões pessoais, o que propiciaria uma resposta mais rápida ao tratamento, quase sempre sem o uso de remédios”.
Fabiano Murgia, psicólogo clínico pós-graduado em Psicossomática e Psicologia Analítica que atende há mais de 15 anos em São Paulo, lembra que o que está em jogo, no caso
da depressão, seria o espaço para uma pausa e para questionamentos do tipo: estou em depressão. O que está acontecendo comigo? O que posso aprender com essa
dificuldade? Quando o doente encontra essa nova forma de encarar a vida vai
em busca de opções antes inimagináveis.


Remédios: uma dúvida recorrente

Usar ou não medicamentos é uma dúvida recorrente ao se deparar com a depressão. Seja porque estamos acostumados a acreditar que depressão não é doença, seja porque não se vê grandes sintomas e nem feridas físicas. O certo é que a depressão vai se instalando internamente e minando a qualidade de vida e a saúde da pessoa. A opinião dos autores
a esse respeito é clara: antes de usá-los, os pacientes precisam ter uma chance de fazer um mergulho interno que faça diferença em suas reflexões.
A professora-titular da Universidade São Camilo, de São Paulo, Marilene Priel é médica especializada em neurologia e doutora em neurociências, e explica que é preciso entender o contexto em que aparece a depressão. As mais recentes pesquisas apontam que não
se trata apenas de um desequilíbrio na quantidade de neurotransmissores dos neurônios. Os remédios da geração Prozac (fluoxetina), entre outros, promovem a recaptação da serotonina e geram menos efeitos colaterais. Dessa forma, seu uso foi popularizado e muitos médicos acabam por prescrevê-los. Isso gerou uso inadequado e indevido desses remédios que são excelentes no trato da depressão, mas não devem nunca ser indicados por profissionais inexperientes.


“Por essa razão, o paciente precisa ter um acompanhamento de longo prazo, por psiquiatra experiente e que possa avaliar o tempo correto de tratamento, nunca menor
do que um período entre seis meses e um ano”, finaliza a especialista.


Mascarar a realidade

Segundo Fabiano Murgia, se a doença for tratada apenas com medicamentos, a pessoa perde a oportunidade de dar um novo sentido à vida e será forçada a conviver passivamente com suas angústias.

Maria Tereza entende que através das doenças, inclusive da depressão, é possível
buscar um novo significado para a vida. Ela diz ainda que, apesar de existir um “pré-conceito” acerca da palavra doença, ela é uma dádiva e uma possibilidade de crescimento, uma denúncia de que algo não vai bem. Sendo assim, o uso de remédios antidepressivos que atuam para coibir emoções e sentimentos negativos serve apenas para esconder e mascarar a real situação que levou à depressão.
A profissional lembra, no entanto, que em alguns casos os remédios são fundamentais para dar início ao tratamento e sempre encaminha o paciente para psiquiatras experientes, que fazem uso de drogas por tempo pré-determinado.


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